Engraçado, a gente só tem o hábito de escrever - desculpe a generalização hiperbólica - quando o coração está ferido/magoado/carente. Por exemplo, você se ilude, você se machuca, você força ilusão, carência e você escreve. É como se fosse um ritual onde o coração, ou a mente travestida e eufemizada por um órgão que julgamos ser o responsável por tudo de errado que acontece ao estarmos emocionalmente fragilizados, pede para que nos acalmemos e, de uma maneira superficial e cheia de entrelinhas, expôr um pouco de nossa essência ou momentos.
É! A vida é cheia de absurdos impostos por nós, somente por nós! Alguns argumentam: "Deus escreve certo por linhas tortas", mas sinceramente? Acho que as linhas acompanham um ritmo perfeito, uma linearidade que causa inveja a qualquer régua ou instrumento matemático. Outros culpam o coração, esse órgão problemático que, para nós, só serve para aguçar imperfeições sentimentais.
Guiado por ele ou não as palavras dançam em um ritmo acelerado e escapolem dos dedos, sem linearidade, sem perfeições gramaticais e até mesmo sem sentido.
Bendito é aquele que enxerga com a mente e transpassa ao coração de maneira simples, coerente e coesa. Bendito somos nós, sofredores de uma noite, de um mês, de um ano.
O que me salva é ser escritor meia-boca de escrivaninha onde é depositado um copo de café, um maço de cigarros e um isqueiro para queimar desilusões.
AMEI! perfeito, de verdade. =)
ResponderExcluirConta outra! :}
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